Cada vez mais segundos se passam e a distância me faz pensar
No que passou, no que foi deixado de lado
Minhas cicatrizes estão secando ao sol
Minha cabeça estremece intermitente e meu Olho gira ao redor de si para enxergar melhor o que não vejo por mim mesma
Um abraço reconfortante vindo de algum lugar absorve minhas dores, em seguida multiplica-as e injeta-as novamente em minha pele fria
Minha pele fria na chuva
Cicatrizes ardendo abertas
Meu pensamento congelado em tua face
A doce e dissonante melodia que inseriste em meus ouvidos, agora envenena-me e seus fios saem por minha boca e se entrelaçam com meus braços, teu abraço
Teu doce abraço
Quase que auto-flagelação
Me mata, e ao mesmo tempo me salva do vazio
Os braços que confortam e afagam já não estão mais aqui
Já não estão mais em ti, tampouco em mim
Entretanto continuamos assim - a mesma pessoa
Dividimo-nos entre o racional e o sonho
Pseudorrealidade que aos poucos me consome, e eu continuo aqui definhando como um animal atropelado, no chão frio sob a chuva
Cortando minha pele com os fios de infelicidade mortal que dilaceram e estilhaçam a pele em pedaços paralelos
Vamos passear no lado obscuro da Lua, meu amor
2 comentários:
que talento!
invejo essa tua arte de fazer palavreas pareçem rabiscos abstratos
é como se fosse as palavras jogadas como tinta é jogada na tela
meeeio que sem intenção, mas cheia de conteudo e de criativiade!
e eu como sou carente e romantico amei esse texto!
me senti o Jackson Pollock da literatura com esse comentário. haha
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