17 de novembro de 2009

Linoleum

Cada vez mais segundos se passam e a distância me faz pensar

No que passou, no que foi deixado de lado

Minhas cicatrizes estão secando ao sol

Minha cabeça estremece intermitente e meu Olho gira ao redor de si para enxergar melhor o que não vejo por mim mesma

Um abraço reconfortante vindo de algum lugar absorve minhas dores, em seguida multiplica-as e injeta-as novamente em minha pele fria

Minha pele fria na chuva

Cicatrizes ardendo abertas

Meu pensamento congelado em tua face

A doce e dissonante melodia que inseriste em meus ouvidos, agora envenena-me e seus fios saem por minha boca e se entrelaçam com meus braços, teu abraço

Teu doce abraço

Quase que auto-flagelação

Me mata, e ao mesmo tempo me salva do vazio

Os braços que confortam e afagam já não estão mais aqui

Já não estão mais em ti, tampouco em mim

Entretanto continuamos assim - a mesma pessoa

Dividimo-nos entre o racional e o sonho

Pseudorrealidade que aos poucos me consome, e eu continuo aqui definhando como um animal atropelado, no chão frio sob a chuva

Cortando minha pele com os fios de infelicidade mortal que dilaceram e estilhaçam a pele em pedaços paralelos

Vamos passear no lado obscuro da Lua, meu amor

2 comentários:

Anônimo disse...

que talento!
invejo essa tua arte de fazer palavreas pareçem rabiscos abstratos
é como se fosse as palavras jogadas como tinta é jogada na tela
meeeio que sem intenção, mas cheia de conteudo e de criativiade!
e eu como sou carente e romantico amei esse texto!

ana paula cansian disse...

me senti o Jackson Pollock da literatura com esse comentário. haha