26 de novembro de 2009
19 de novembro de 2009
Penitenciária de tinta
Do âmago de meu crânio escorre a tinta e as idéias se criam dela, como nuvens coloridas que se formam ao que meus ossos – em seu tom opaco – martelam e martirizam as teclas neuróticas da Olivetti. Tu transformas minha penitenciária num palco de teatro – imenso e vazio – onde ocorrem as chacinas de idéias que nunca existiram, de rostos que não vi em meus textos.
O sangue é a tinta da minha pena cerebral, que voa e jorra parra iniciar o quarto ato – sem pausa para café. As mãos inertes agora fagocitam minhas idéias – e choram rosas de prata sobre o palco – é o fim do espetáculo. Meu texto embaça meus próprios olhos, já não sei o que estou escrevendo, as palavras soltam-se do pergaminho para virem beijar-me a face. Sangue na Olivetti.
17 de novembro de 2009
Linoleum
Cada vez mais segundos se passam e a distância me faz pensar
No que passou, no que foi deixado de lado
Minhas cicatrizes estão secando ao sol
Minha cabeça estremece intermitente e meu Olho gira ao redor de si para enxergar melhor o que não vejo por mim mesma
Um abraço reconfortante vindo de algum lugar absorve minhas dores, em seguida multiplica-as e injeta-as novamente em minha pele fria
Minha pele fria na chuva
Cicatrizes ardendo abertas
Meu pensamento congelado em tua face
A doce e dissonante melodia que inseriste em meus ouvidos, agora envenena-me e seus fios saem por minha boca e se entrelaçam com meus braços, teu abraço
Teu doce abraço
Quase que auto-flagelação
Me mata, e ao mesmo tempo me salva do vazio
Os braços que confortam e afagam já não estão mais aqui
Já não estão mais em ti, tampouco em mim
Entretanto continuamos assim - a mesma pessoa
Dividimo-nos entre o racional e o sonho
Pseudorrealidade que aos poucos me consome, e eu continuo aqui definhando como um animal atropelado, no chão frio sob a chuva
Cortando minha pele com os fios de infelicidade mortal que dilaceram e estilhaçam a pele em pedaços paralelos
Vamos passear no lado obscuro da Lua, meu amor
11 de novembro de 2009
Saturno
o Padrinho
o regente da orquestra galáctica que desenrola-se pelo universo
tocando seu jazz psicossomático
desabrochando dentro do Olho
para então desaparecer
silencioso e eterno
no princípio
da escada
que ter
mina
na m
arg
em
10 de novembro de 2009
para Hans
Teus sonhos, fazer tudo desmoronar
Em um segundo, é a causa do teu sofrimento,
A tua dor, ela é a causa, o vício que te consome,
E seca dentro, e volta, a causa, o que te
Faz sentir submisso a tudo, dependente do
Abraço que fagocita teu sorriso, o beijo de Judas,
As atrocidades horrendas que teu coração aguenta;
Depois tu dizes que não és forte, talvez tua causa
Seja acima de tudo tua cura, ou talvez o passo
Que falta para o fundo do poço; no entanto acreditas que
Ainda exista um remédio por trás da droga que te
Envenena aos poucos e te deixa tão bem, e tão mal.
E tu ainda acreditas na causa e na cura