24 de setembro de 2010

Antes da manhã

Ontem vaguei só pelas ruas sinuosas de qualquer lugar
enquanto as luzes dos postes se apagavam uma a uma atrás
de mim e os raios solares brotavam da névoa matinal, a
eterna flor do dia desabrochando em minha face -
um dirigível flutuava sutil no céu da manhã
indo para qualquer lugar
procurando chegar em casa

Meus pés me arrastam pelas calçadas de largas avenidas
bêbados cambaleantes acompanham o respirar da cidade
sonolenta, ainda não desperta, ainda preguiçosa sob
meus pés; seu grotesco dançar mecânico que me
leva aos cafés, para então fazer despertar minha garganta
automático
psicossomático
Então, encontro-me ao acaso com um velho amigo
que nunca vi, tampouco fazia idéia de que se encontra ali
ele sutilmente toma um gole da xícara de café em sua mesa
e traga seu horrendo cigarro em pausas lentas, inclina-se
levemente para o lado enquanto pousa e descansa o
cotovelo esquerdo sobre o braço da cadeira,
inspira calmamente acomodando-se ao conforto
de seu assento de madeira maciça e tosse
secamente
Limpa e purifica a garganta flagelada
com a doce ardência do puro café
que ferve

Seu chapéu panamá permanece pendurado sobre sua vasta cabeleira negra
pendendo inclinado a um lado da cabeça, escondendo seus olhos,
martirizados pelos fantasmas brancos que escapam de
sua boca e fogem para o teto
Sua mão direita, que antes segurava o cigarro, agora pressiona-o
contra o fundo do cinzeiro a fim de apagar a brasa

Larga a ponta no cinzeiro e eleva gentilmente a mão até
a altura do nariz, enquanto estica o dedo indicador
em minha direção e convida-me a sentar à mesa -
há uma cadeira vaga a seu lado esquerdo
destinada somente a mim

Nossas conversas são triviais, como um diálogo qualquer em um filme de
Tarantino
caminhamos pela cidade inteira com nossos olhos cansados e
nossa mente febril e inquieta
arremessamos nossas garrafas de cerveja barata contra uma
vitrina só para observar os milhões de cacos brilharem por
instantes no ar e pousarem ao chão
assistimos a dois homens de terno preto, ombros
largos e feições grotescas que ocupavam-se em
jogar um enorme saco de lixo de cima
da ponte, para dentro do rio
(isso é bem comum por aqui)

Fugimos do Sol
nos amamos numa parede cinza

3 comentários:

Unknown disse...

Wowww
Muito bom!

So espero que o muro fosse rebocado ao menos... senão ralou-se as costas!

Gustavo disse...

Meu Deus =O
Muito Bom!!!!
S2 xD

Anônimo disse...

poxa, me prendeu do inicio ao fim de interesse em saber o que ia acontecer, e achei incrivel!

mesmo!

seguindo você..

-bisous