3 de maio de 2008

NaOH 40g/L

Desces até o âmago de meu crânio,
caído no nada,
flutuando nos pêlos da aranha imensa que grita,
e não correspondes ao abraço que me salva do vazio.
Tens medo do que falariam,
esses horrendos anjos que chamamos de humanos,
animais que escorreram pelas frestas da Criação,
ridiculamente horrendos em sua imperfeição não-linear.
Tu rebobinas o filme que passa intermitente em minha cabeça que treme,
guardas meu cinema particular e me levas para um café,
como sempre.
O toque do verme me cega,
o húmus necrófago devora meus olhos,
a serpente desperta com fome e não estás aqui,
me deixaste de pé ao sol com as cicatrizes ardendo abertas,
a rosa seca no centro do Universo.
Amo você?

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